quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Crônica do leitor

Estreando este espaço no qual pretendo dar "voz" aos que aqui leem - e "só" por isso já contribuem imensamente para a manutenção, mesmo que não diária, deste espaço -, poupá-los dos meus vícios de escrita e afins, convidei a leitora e maior incentivadora deste blog, Thamiris Kuhn que, gentilmente, dedicou-nos um pouco do seu tempo para externar sua visão (in loco) acerca, especificamente, do jogo entre Botafogo e Avaí. Meus sinceros agradecimentos à Thamiris.

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Botafogo lota Engenhão contra o Avaí

por Thamiris Kuhn*

No dia em que comemoramos o Dia das Crianças (12 de outubro), um fato inédito aos torcedores Alvinegros fez com que o Sol brilhasse mais forte – mesmo que as nuvens negras tentassem tomar conta do céu. O Estádio Olímpico João Havelange recebeu Botafogo (16º/32pts) e Avaí (12º/40pts), onde, visivelmente, formou-se um mar preto e branco, perfeito de se admirar. Bandeirões, torcedores alucinados, parecia fim de campeonato brasileiro em que se disputava páreo a páreo o primeiro lugar. Desde a sua inauguração (30 de junho de 2007), com um público de aproximadamente 43 mil – pagantes -, os botafoguenses não lotavam o Engenhão, fato repetido – graças àqueles com boa vontade de ir ao estádio em um feriado quente – no último dia 12. Foram 33.641 pagantes, entretanto, inúmeras falhas comprometeram a festa alvinegra.

A começar pelo início do jogo. O Botafogo mostrou vontade, porém, faltaram habilidades nas finalizações. Durante todo o primeiro tempo, o Avaí se esforçou para conseguir abrir o placar, frente à sua torcida de 20 gatos pingados. Foi realmente complicado visualizar a torcida do time catarinense em meio aos botafoguenses. Mas a quantidade não interfere (tanto) em partidas de futebol. Aos 28’ do primeiro tempo, Jobson driblou dois atacantes do Avaí e bateu um bolão no travessão, levando susto a Martini, goleiro do Avaí. Dentre faltas e chutes perigosos, quem abriu o placar foi justamente o Avaí. Em cobrança de falta, Caio mandou a bola para Emerson que abriu o placar, aos 37’do primeiro tempo.

Após a cobrança de falta e o gol do Avaí, o técnico do Botafogo, Estevam Soares, foi expulso por não concordar com a falta. O mesmo foi tirar satisfações com o auxiliar, Altemir Hausmann, e acabou levando um cartão vermelho. Conclusão: desespero botafoguense. Aos 44’, Wellington perde a disputa de bola com William, que marca o segundo gol do Avaí na partida. Intervalo e pânico alvinegro.

Segundo tempo. Estevam Soares substitui Léo Silva por Victor Simões e Reinaldo – vaiado pela torcida – sai para dar lugar a Rodrigo Dantas. Com quatro atacantes, o Botafogo começou a reagir dentro de campo. O Avaí permanece convicto de que vencerá a partida. A torcida, percebendo a garra alvinegra dentro de campo, empurra o time. Surtiu efeito. Aos 15’ do segundo tempo, Victor Simões leva perigo à área do Avaí, mas somente três minutos depois, o mesmo não tem pena: em bola levantada por Lúcio Flávio, Victor Simões faz o primeiro do Botafogo. Agora está 2x1, Avaí. Até então, o Avaí não havia demonstrado mais força para levar medo dentro de campo, mas foi capaz de roubar muitas bolas, sem grandes resultados.


Rodrigo Dantas, que entrou bem no jogo, deu passe para André Lima que desperdiçou. Logo após, Augusto quase marca contra, a favor do Botafogo, mas acabou acertando o goleiro do seu time que ficou caído no chão. Emerson impediu que a bola parasse na rede Avaiana. Durante o segundo tempo, o Botafogo levou muito perigo à zona do Avaí, porém, com muitos passes e finalizações errados. O empate só veio aos 33’, com Victor Simões – novamente. Com disputa de bola entre Emerson e André Lima – que tocou com a mão na bola -, ela sobra exatamente para Victor, que marca, deixando tudo igual no Engenhão. Os jogadores do Avaí, enfurecidos, foram reclamar com o árbitro André Luiz Castro, que acabou expulsando William, do Avaí.

O Botafogo teve chance de virar o jogo, haja vista ter 11 jogadores em campo contra 10 do Avaí. Aos 41’, Lúcio Flávio manda a bola pelo lado de fora da rede, deixando a torcida em êxtase. No fim do jogo, dois atos prejudicaram o Botafogo: 1)já com duas faltas, Juninho, capitão alvinegro, é expulso, saindo ovacionado pela galera presente; 2)Victor Simões sofreu falta na entrada da área e, em vez de apitá-la, o árbitro deu fim ao jogo. Após o término da partida, os jogadores foram aplaudidos em meio a gritos de “Valeu, Fogo!”.

Engana-se quem pensa que os problemas foram somente dentro de campo. Definitivamente, se as Olimpíadas fossem hoje, o Brasil receberia o título de “Vergonha Mundial”. Durante o intervalo, não havia mais água e refrigerantes para que os torcedores pudessem consumir. Em calor infernal, todos aglomerados, com sede, o que se tinha a fazer era esquecer e, ironicamente, produzir saliva. Um absurdo! Não houve capacidade de organização. Mesmo que o público não tenha sido estimado, há de se convir que, em pleno feriado e com o time em um pingo de ascensão, mais de cinco mil torcedores compareceriam ao estádio.

O atendimento por socorro, dentro do estádio, é ineficaz. Constam que um senhor enfartou durante o primeiro tempo de bola rolando. Pessoas ao redor clamavam por resgate que, ficou observando sem fazer o mínimo de esforço para chegar ao local. Até que essas mesmas pessoas começaram a gritar por um médico na torcida e a xingar o atendimento. O que se tem de notícia deste homem é que ele tem 42 anos e teve um AVC, enquanto assistia a partida que rolava. O atendimento socorreu-o depois de 10 minutos, mas alguém da torcida auxiliou com respiração boca-a-boca, até que a ineficiência garantisse a vida daquele homem.

Ademais, sete mil (sim, eu escrevi SETE MIL) torcedores entraram gratuitamente no estádio. A diretoria do Botafogo disponibilizou ingressos extras assim que começou a partida, porém, muitos torcedores não conseguiram entrar. Os com e sem ingresso que não conseguiram entrar no Engenhão tentaram invadir o local em sinal de protesto. Enquanto rolava o primeiro tempo, a entrada para o setor Oeste foi liberada, e assim, mesmo lotando o estádio, muitos ainda ficaram do lado de fora.

Vergonha!

O que foi de se vangloriar, em um dia destinado às crianças – que morreram de sede no estádio, aposto! – foi a torcida que compareceu em peso, completando 40 mil espaços no Engenhão. Mesmo com irregularidades, a festa foi bonita e o apoio ao time era o que realmente estava faltando. O Botafogo fez a festa das crianças alvinegras – mesmo pelo empate em 2x2 com o Avaí. Com este resultado, Avaí desce duas posições no Brasileirão e está em 12°. O Botafogo permanece na 16ª posição, três pontos à frente do primeiro time do Z-4 (Santo André 17°/29pts).

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* Thamiris Kuhn é estudante do 6º período de Comunicação Social (Jornalismo) da UNESA (Universidade Estácio de Sá).

3 comentário(s):

Thamiris P. Kuhn disse...

De nada.

Apesar de acompanhar os jogos e, principalmente os do Botafogo, não sei colocar no papel aquilo que vejo e (ainda) leio.

Agradeço o post do meu "pequeno" texto. Como sempre, excedendo espaço.

P.S.: Unesa - Universidade Estácio de Sá.
Não é propaganda, mas para quem não sabe qual a instituição, há de, corretamente, identificá-la.

Abraço, Diego.
Obrigada mais uma vez.

Jefferson freire disse...

As mulheres estão dominando o futebol. rs. Muito bom. Eu sempre achei que o engenhão não tem condições de ter jogos como clássicos. A prova vei nesse jogo do botafogo. Veremos como vai ser o botafogo e flamengo. E ano que vem vai ser um Deus nos acuda sem o maraca.

Abços

Diego Mesquita disse...

Acompanho o Jefferson. As mulheres têm ganhado espaço no meio. E, neste, apesar das divergências que tenho inclusive com a própria contribuinte, ninguém tá certo. Cada um tem a sua visão e suas convicções.

E as discussões - se ponderadas e com o mínimo de educação - são sempre benéficas.

Agradeço novamente pela bela contribuição dada ao singelo espaço.

Obrigado, Thamiris.