quinta-feira, 3 de julho de 2008

Otro Maracanazo

É manifesto que o título desta postagem é alusivo ao título mundial uruguaio em 1950, em pleno Maracanã. O otro, por sua vez, diz respeito a mais um Maracanazo neste ano.

O primeiro aconteceu a 07 de maio, no mesmo palco. O Flamengo foi eliminado pelo lanterna, à época, do Campeonato Mexicano. O América de Cabanãs, venceu pela diferença necessária e calou os mais de cinqüenta mil flamenguistas no estádios. Estes que, incrédulos, não conseguiram sequer vaiar a equipe, após o desastre.

(foto: Alexandre Cassiano / O GLOBO)
Anteontem, foi a vez da Liga Desportiva Universitária, do Equador, calar um dos templos do futebol mundial. Após conseguir boa vantagem ( 4 a 2) na semana anterior, em Quito, a LDU veio ao Rio com uma mão na taça.

Em ambos os desastres, a soberba me pareceu fator preponderante. No caso do Flamengo, por parte de jogadores, que pelo que foi dito, sequer se concentraram para a partida, dos dirigentes - que armaram uma festa para a despedida de Joel e ignoraram completamente a partida porvir e do técnico que foi conivente com toda a algazarra.

(foto: Divulgação / GE.com)
Durante a partida, que no momento estava 4 a 2 a favor da LDU, via-se Renato Gaúcho à beira do gramado já pedindo o fim do jogo e acenando para seus jogadores lembrarem o árbitro. Lastimável. Na coletiva, Renato Gaúcho já dava-se como campeão, dando certeza (!) que o tricolor se sagraria campeão da América, na quarta-feira seguinte. Neste caso, a soberba deu-se exclusivamente pelo seu técnico, cujo currículo - como disse o próprio - realmente fala por ele. Mas o de jogador, tão somente. Como treinador é evidente que a postura tem de ser outra. Hoje ele aconselha, incentiva. Não joga. Não resolve uma partida. É um espectador, como todos os outros técnicos, à beira do campo que: opina, decide quem entra/sai etc., e está à merce de seus comandados. Suas vidências tem de ser passadas no vestiário. Portanto, internamente a fim de que não passe essa vergonha desnecessária.

Contudo, não vejo o título equatoriano ser debitado somente dessa soberba. Aliás, nesse caso, foi fator muito menos preponderante que na derrota rubro-negra. Na condição de equatorianos, não os vi motivados como ficaria um brasileiro ou argentino, por exemplo. Pelo contrário, o técnico da LDU, ao saber da afirmação de Renato Gaúcho, não viu problema e disse ser papel do técnico acreditar. E que ele estava fazendo o mesmo.

(foto: Agência / Reuters)
Como era esperado e disse aqui, a LDU usaria sua jogada característica pelos flancos (com Bolãnos e principalmente Guérron) sendo municiados pelo ótimo argentino Manso. Assim deu-se a jogada e conclusão a gol, aos cinco minutos. Depois de ótimo lançamento de Manso (foto), Guérron dominou, driblou com facilidade o limitadíssimo volante Ygor e cruzou rasteiro (!) para a conclusão de Bolãnos. Logo depois, porém, Thiago Neves (foto: André Durã / GE.com) após driblar com facilidade um adversário, chutou e Cevallos aceitou. Era sabido por todos que a defesa equatoriana era pífia. E foi. Aqui, pela dimensão do gramado, mais até. Depois, Jr. César lançou Cícero através de arremesso lateral que teve tempo de olhar pra área e ver o mesmo Thiago Neves se infiltrar e concluir, com o zagueiro olhando, apenas. Virada tricolor e, pra mim, o momento de Dodô entrar na partida. Washington se atrapalhava com as próprias pernas e concluía mal a gol, como de costume. Era hora de Dodô. Renato não achou e manteve o artilheiro dos gols bonitos no banco. As jogadas mais perigosas a favor do Fluminense, era a infiltração pelo meio da zaga, que batia cabeça e por vezes deixou Washington receber ali, livre. O tricolor, por sua vez, insistia em atacar pelos laterais, o que facilitava a tarefa da medíocre zaga equatoriana.
Na segunda etapa e com Dodô, o Fluminense ampliou a vantagem, novamente com T. Neves, de falta, aos 11. O Fluminense fez o mais difícil! O resultado levava a partida para a prorrogação. Restavam ainda pouco menos de 35 minutos para se fazer um gol para levar o título. Não conseguiram. Para a LDU, a prorrogação era bem-vinda. Os pênaltis, idem. Ao contrário do que foi a partida, os pênaltis não seriam favoráveis ao tricolor, que jogava em casa, tendo a obrigação de, agora, ser campeão. A LDU não tinha nada a perder. Só chegar até ali já era motivo de orgulho para o país. Reflexo disso foram as cobranças das penalidades. E certamente, se fossem os vices, não protagonizariam aquela lamentável cena dos jogadores cariocas, ao receberem as medalhas. Receberiam reluzentes e felizes por terem chegado tão longe. Venceram justamente e calaram mais de 90 mil tricolores, em novo Maracanazo.

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Para Renato Gaúcho, fica o aprendizado (não especificamente sobre esta partida, que não foi o que determinou o resultado) para seu futuro. Hoje, o futebol equipara-se tanto que qualquer tipo de motivação extra faz a diferença. Insisto que não foi o caso da final, mas não é a primeira vez (como treinador) que Renato fala e não cumpre. Acabo de ler que, ainda que atualmente na condição de lanterna do Brasileiro e com a possibilidade de perder grandes nomes (Thiago Silva, Thiago Neves e Gabriel), Portaluppi afirma (!) que o Fluminense garantirá a vaga da Libertadores para o próximo ano (o que obriga à sua equipe ficar entre os quatro primeiros da competição). Não aprende.

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Frase da semana: "Quem muito fala, dá bom dia a Cevallos."


3 comentário(s):

Duda Cabral disse...

QUINTA-FEIRA de cinzas para os tricolores...
Mas, mesmo com o papel ridículo que se prestou, não podemos deixar de ver a campanha maravilhosa feita por eles, então de parabéns, porém quem muito fala...

bem feito!

Carlão Azul disse...

O Renato parece mesmo que nao aprendeu a liçao.

Vai ser muito complicado pro Flu garantir vaga na Libertadores.

Saudações Celestes
SITE/BLOG.....CRUZEIRO: O MAIOR DE MINAS
Sou Cruzeirense - Site
Sou Cruzeirense - BLog
ENTREM E SINTAM-SE A VONTADE

Vinicius Grissi disse...

Sou contra colocarmos como "Maracanazzo" toda a derrota importante que houver no Maracanã. O Flu tinha tudo para perder, depois da derrota na primeira partida, e o título da LDU não foi lá uma grande surpresa pra ninguém.